sexta-feira, 24 de abril de 2009
Resolvi re-postar minha resenha sobre Benjamin Button. Ia escrever outra, mas minha vida é muito corrida (-n) e se eu fosse escrever de novo, ia elogiar os mesmos pontos e criticar as mesmas partes, minha opinião não mudou e eu só queria postar sobre o filme aqui, pq, tipo, eu me sinto na obrigação, sabem?! É raro eu me apaixonar assim por algum filme. Tá, não é raro, eu me apaixono por muitos filmes descontroladamente, mas são poucos os que realmente continuam mexendo comigo, mesmo meses depois de ter assistido pela primeira vez.
Foi o caso de Benjamin! Espero que os que já assistiram gostem do meu comentário sobre ele, e para aqueles que não leiam, como dica eu digo: não leiam. Eu sou uma matraca e conto praticamente tudo.
“O beija-flor não é só mais um pássaro. O seu coração bate 1.200 vezes por minuto. Bate as asas 80 vezes por segundo. Se pararmos as asas deles, eles morrem em menos de 10 segundos. Este não é um pássaro comum, é um grande milagre! Fotografaram o bater das asas em várias tomadas. E viram as asas assim, no formato de um “oito”, deitado. Sabem o que significa isso na simbologia matemática? O infinito.”
E foi no momento em que Daisy ameaçou parar de bater as asas, que Benjamin impediu que seu coração parasse de bater. No momento certo, nenhum minuto antes, nenhum minuto depois. Aos 43 anos de Daisy, e 49 de Benjamin.
No inicio do filme acompanhamos uma história contada por Daisy (que parece estar nos momentos finais de sua vida, no leito de um hospital acompanhada de sua filha) sobre um Relojoeiro cego, Sr. Gateaux – Ou “Senhor bolo”. Ele foi convidado a construir o relógio para uma estação de trem, no sul dos Estados Unidos. Porém, enquanto trabalhava na confecção do relógio, seu filho foi mandado para a guerra, e antes que Sr. Gateaux pudesse terminar o trabalho recebeu a noticia que ele havia morrido em uma batalha.
Triste, Sr. Bolo não parou de construir o relógio e apesar de tudo o entregou no prazo. No dia da inauguração todos se surpreenderam ao ver que os ponteiros estavam girando em sentido anti-horário, voltando o caminho. Sr. Gateaux pediu desculpas, caso houvesse ofendido alguém, mas antes disse que fez aquilo para que todos os jovens mortos em guerra tivessem a chance de voltar para a casa.
A história parece simples pelo modo como foi contada, mas é a partir desde relógio que começamos a acompanhar a vida do jovem Benjamin.
Ainda deitada na cama no hospital, Daisy pede para que a filha pegue uma agenda, em uma de suas bagagens. Sem muito explicar, pede também para que ela leia tudo o que está escrito na agenda.
É assim que somos transportados, através das palavras do próprio Benjamim, para uma história que poderia ser a minha ou a sua, por mais inusitada que isso possa parecer.
E enquanto Caroline, filha de Daisy, lê as memórias de Benjamin, o mundo do lado de fora espera a chegada de uma tempestade, o furacão Katrina.
Resumidamente, Benjamin nasceu ao contrário e durante a comemoração do fim da primeira guerra mundial. Nasceu com todas as doenças que um idoso prestes a morrer costuma ter, carregava desde uma pele cheia de rugas à catarata nos olhos. Sua mãe morreu no parto, e seu pai, assustado e sem saber que atitude tomar, o deixou nas escadas de um asilo, com apenas 18 dólares e um xale envolvendo seu corpo.
Benjamin foi acolhido por uma típica negra sul-americana do início do século, dona de um coração enorme e de um humor justo àqueles que conseguem aproveitar as pequenas alegrias da vida.
E foi exatamente isso o que ela deu para Benjamin. Alegria, e seu enorme coração.
Daqui em diante eu realmente prefiro não contar, deixo para vocês acompanharem durante as três horas de filme que, acreditem, nem parecem tão longas assim!
Conseguimos nos envolver com a história de amor que foge do convencional, por mais que se encaixe perfeitamente na vida de muitas pessoas.
Quantas vezes nos perguntamos “por quê?” quando um relacionamento chega ao fim, ou quando ele nem tem a chance de começar? Muitas. Mas são pouquíssimas as vezes que temos a chance de refletir e de entender, compreender que às vezes não era o momento certo. A conhecida frase “você é a pessoa certa, na hora errada” pode resumir boa parte da história de amor de Benjamin e Daisy.
Mas vai além disso. É um amor que supera o desejo sexual, a atração e a química. Pode até ser confundido com um amor fraternal, tanto no inicio do filme quanto em seu final.
Em certo momento, logo após Benjamin ver Daisy pela primeira vez (os dois com mais ou menos a mesma idade interior, porém Daisy aparentando seus sete anos, e Benjamin com uma invejável aparência de 70 e tantos) e pensar no destino – como Daisy prefere chamar - de não vê-la mais, um senhor que vive no mesmo asilo que Benjamin o questiona: “Eu já lhe contei que fui atingido por raios sete vezes?”.
Pode parecer simples a principio, mas é exatamente isso que acontece com o personagem de Brad Pitt. Ele encontra com Daisy inúmeras vezes depois.
Quando ela atinge mais ou menos nove anos, Benjamin decide viajar por uns tempos, mas promete que sempre a mandará postais, onde quer que ele esteja.
Ele chega a conhece outra mulher, até pensa que está apaixonado (como acontece conosco muitas vezes durante a vida), mas nunca esquece Daisy. Ela se dedicou à dança, e virou bailaria profissional, mas também nunca esquece Benjamin. A bailarina, sempre antes de dormir, desejava boa noite para Benjamin. E ao ouvir sua filha lendo a história escrita por ele, descobre que Benjamin também sempre disse “Boa noite, Daisy” antes de fechar os olhos.
Em determinado momento uma seqüência de fatos é narrada, e essa seqüência pode ser compreendida como uma sinopse. Benjamin nos conta sobre um acidente sofrido por Daisy. Ela foi atropelada por um taxi ao sair de um ensaio, e nesse momento foi condenada à nunca mais conseguir dançar.
Ao contar sobre o acidente, Benjamin conta também a história de um taxista que não se atrasou, de uma francesa que não esqueceu seu casaco em casa, e de uma moça que por não terminar um namoro, se lembrou de fazer o embrulho de um presente em uma determinada loja.
Benjamin une todas essas histórias em um liga-pontos, tornando a seqüência responsável pelo atropelamento de Daisy. Benjamin diz que se o taxi tivesse atrasado, se a moça que pegou aquele taxi tivesse esquecido o casaco no apartamento, e se a atendente da loja tivesse terminado o namoro e esquecido de embrulhar aquele presente, Daisy não teria sido atropelada.
Mas tudo aconteceu do modo que deveria ter acontecido. E graças a esse atropelamento os dois puderam se encontrar novamente.
Após alguns desentendimentos, Benjamin e Daisy finalmente ficam juntos, dormem juntos e selam um amor que já havia sido selado ha décadas.
“Somos quase da mesma idade. Encontramo-nos na metade”.
Vinicius de Moraes disse uma vez: “A vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros pela vida”, mas não é somente essa a mensagem que o filme procura transmitir. Durante todo o tempo várias pessoas passam pela vida de Benjamin, e todas elas deixam sua marca de alguma forma.
Inclusive, no meio do filme, o pai de Benjamin - que já havia cruzado com ele algumas vezes e até o convidado para um drink - resolve contar a verdade, revelando ser seu pai. O Sr. Buttun tem uma fábrica de botões (Button’s Button. Ótimo, heim?!) e resolve deixá-la, junto com todos os seus bens, para Benjamin.
Acredito que o filme seja mais sobre aquilo que conseguimos acrescentar à nossa vida a partir da vida dos outros, do que uma simples (se é que se pode chamar assim) história sobre alguém que nasceu no sentido anti-horário.
O marinheiro que Benjamin conheceu contou para todos em um bar sobre o vôo do beija-flor. E fez questão de dizer que esse pássaro é um milagre. Assim como Sra. Queenie, a mulher que acolheu benjamim como se fosse seu filho, o chamou logo no dia em que o conheceu, “este bebê é um milagre”.
Inicialmente podemos encarar algumas pessoas como simples…Pessoas. Mas devemos olhar sempre além daquilo que conseguimos enxergar com facilidade. Benjamin pareceu, inicialmente, apenas mais um botão velho para seu pai. Porém levou toda a sua juventude para os senhores daquele asilo, e durante toda a sua vida carregou para o mar, e até para a Índia, tudo o que seus ouvidos foram capazes de absorver, graças ao silencio sábio de sua boca.
Daisy dançou com Benjamin durante toda a sua vida, desde passos de balé clássico ao triste tango já no final de suas vidas. Aproveitaram o rock, e foram para a lua junto ao Apollo 11. Benjamin dançava em um ritmo contrário ao de Daisy, mas mantinham o mesmo compasso, por isso, mesmo quando tudo parecia ter chegado ao fim, eles voltam a se encontrar no mesmo espetáculo, pois nunca pararam de dançar a mesma música, a melodia da batida das asas de um beija-flor.
Preparem seus lencinhos, inclusive os marmanjos! Vai rolar mais água que em Chinatown, podem apostar.
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Por Maria Confort

