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SOBRE O BLOG

Sempre tive blogs, sempre passei horas brincando com html, rabiscando imagens e textos...Infelizmente, a vida a gente não programa nos programas do adobe e eu fiquei sem tempo, minhas prioridades mudaram e eu esqueci de como eu gosto disso tudo. A gente sempre fala "as pequenas coisas são as que mais fazem bem" mas são tantas coisinhas, que é normal se perder entre as que trazem um bem instantâneo, e aquelas que realmente te alimentam. Quando uma amiga minha ganhou um moleskine de presente eu tive uma epifania e senti falta do meu caderninho de anotações virtual.

Escrever um blog é diferente, mesmo que eu não saiba explicar o por quê, quando um texto é publicado aqui ele cresce um pouco dentro de mim.

SOBRE A MARIA

DOLL PARTS
18 anos de Maria, carioca que adotou São Paulo como presente mas sabe que o Rio vai ser seu futuro. Aos que já assistiram 'minha bela dama' e 'crepusculo dos deuses', fiquem sabendo: Às vezes sou Eliza e muitas vezes sou Norma. Curso o primeiro semestre de jornalismo na PUCSP. Teimo em acreditar que tudo o que já aconteceu comigo na verdade foi só ensaio para aquilo que ainda vai vir.

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quarta-feira, 29 de abril de 2009


Tá. Eu menti. "Eu volto depois" e não voltei...Agora já perdeu o contexto e eu não vou continuar o assunto (mentira, não vou continuar por que 1) estou com preguiça 2) tenho outro assunto a tratar 3) estou com MUITA preguiça).

Seguindo meu ritual de todas as manhãs, eu entrei no último vagão do trem do metrô na plataforma minha de cada dia. Comentário pessoal, não importa em qual escada rolante eu tenha descido/subido, não importa o quão vazia esteja a estação, não importa se o último vagão vai parar lá na casa do chapeu de distância da onde eu estou, eu sempre vou até lá. Acredito que as minhas amigas deia e camila sejam culpadas por esse TOC massacrante e inutil (Ok não tão inútil, afinal é um bom exercicio para as pernas) mas isso é assunto para a próxima tele-aula...Voltando ao foco, estava eu lendo o livro que eu roubei do meu pai (outro hábito: roubar livros do meu pai), tranquila como um zumbi com insônia, quando esbarrei em um senhor de uns setenta anos saindo do vagão, eu pedi desculpas, ajudei ele a descer e não cair no buraco (eu tenho muito medo daqueles buracos!!). Ele sorriu, eu sorri e mesmo sem dentes (ele, não eu) eu achei o senhorzinho muito simpático e educado, feio, mas muito simpático. Ele ficou na estação e eu entrei no vagão, sentei a favor do movimento do metrô (que fique claro: se eu sento de costas eu passo mal e tenho que me segurar para não vomitar no sapato de quem estiver ao lado) e continuei lendo meu livro na santa paz da matina, o trem foi enchendo e eu senti que sentou alguém do meu lado, tá, até aí normal né, as pessoas costumam se sentar no metrô, ainda mais num lugar onde não existe risco (e se existir é bem pouco) de ter o café da manhã voltando para a faringe.

Sabe aquela sensação de ter alguém te olhando? Do tipo que você tem depois de ver um filme de terror e ficar se borrando no quarto a madrugada inteira, com medo de levantar pra fazer xixi pq você acha que a sombra da jaqueta no cabideiro é um allien de sinais com seus dois metros de altura e um físico invejável? Então, você pensa que o cabideiro tá te olhando e esperando a hora certa pra atacar. Foi o que eu senti sentada no banco a favor do movimento do metrô. Disfarçadamente eu olhei para a janela do trem (até hoje eu acho totalmente desnecessario ver as paredes passando. Pode ser útil para evitar claustrofobia, mas hei, e a democracia? Os claustrofobicos não surtam, mas e quem tem labirintite como faz?) para ver se o sujeito do meu lado tinha alguma semelhança com um ET.

Não parecia um ET, então eu nem dei bola no começo, ajeitei meu cabelo e namorei meu reflexo por um tempinho. Daí eu me toquei, era o mesmo senhorzinho que eu tinha ajudado a sair do vagão no começo, antes do meu devaneio sobre vômitos no submundo!! Eu não mexi a cabeça, fiquei olhando paralizada para o meu rosto azumbizado matinal, depois de perceber que ele também tava olhando a mesma coisa eu tentei entrar na mente do motorista (motorista de metrô?! ahm...) em uma espécie de viagem astral sem cama, travesseiro e o principal, ahm, sono. Tentei fazer com que ele desse um jeito naquele ritmo lerdo do trem, achei que no meu momento de desespero a minha energia fosse vagar por outro plano e fazer o motorista entender o meu estado de choque. Preciso falar que dois minutos depois eu me senti uma idiota?
Pelo amor de Deus né, eu tava surtando pq tinha um senhor de 70 anos sentado do meu lado e olhando para o mesmo lugar que eu, qual o problema nisso? Eu nem sabia se o cara realmente era o mesmo senhor de antes. E se fosse, isso queria dizer que eu ia ser brutalmente assassinada no metrô e atrapalhar o movimento dos trabalhadores paulistas? O velhinho poderia ter se perdido, descido na estação errada, ou foi simplesmente buscar alguma coisa com alguém na estação que eu estava e depois resolveu voltar pra casa, eu não tinha nada a ver com a vida dele.

Depois de pensar tudo isso, ainda olhando minhas olheiras no reflexo da janela, eu me toquei que ele também não havia se mexido. Daí entrei em choque de novo, tipo: "Pqp, quais são as chances dele voltar pro mesmo vagão, uns dez minutos depois de ter descido em uma estação? Como ele faria isso? É o chuck norris, magaiver, harry potter? Mesmo se ele tivesse deixado alguma coisa com alguém pra depois voltar pelo mesmo caminho, ele ia ter que ser muito rápido pra pular de volta pro MESMO vagão (imagem agora o velhinho de 70 anos literalmente pulando de volta...Eu juro que ele era mais assustador do que vocês tão pensando, parecia um daqueles japoneses velhos de filmes de terror japoneses com atores japoneses e crianças japonesas saindo de poços e de escadas de incendio). Era impossível. Primeiro por que ele não parece com o harry potter, tá mais pra dumbledore e o dubledore morreu (triste), segundo por que eu vi a porta do trem fechando, eu vi e não to louca!", terceiro porque, bem, eu gosto de coisas estranhas. Quando eu era pequena eu vivia inventando histórias sobre tampas de vasos sanitários batendo sozinhas, mapas do tesouro escondidos no canteiro do prédio, luzes voadoras (luzes voam né? Ok) dançando no telhado da casa do lado, vizinhas loucas rodando um gato pelo rabo e jogando sobre os postes elétricos da rua...Não, eu não era mentirosa, eu só tinha uma imaginação muito fértil, e muitas dessas histórias realmente eram verdadeiras! Eu juro que a tampa da privada do banheiro das meninas aqui do prédio batia sozinha de vez em quando. Mas então, voltando ao meu pensamento..."E se ele não estiver sentado aqui e eu tô imaginando? Não, não tem como, se ele não estivesse sentado aqui outra pessoa estaria, o metrô tá lotadão e são 7h da manhã", depois de filosofar (eu juro que demorei menos tempo pensando tudo isso do que você tá levando pra ler) eu tive coragem e resolvi encarar o senhor, como modelo de passarela fotografando no final do desfile eu virei o rosto com tudo pra dar de cada com o japones de filme de terror (mesmo não sendo japones), e quando eu virei era outro cara, não era o senhor que eu tinha esbarrado no começo!! Eu dei um sorriso amarelo e olhei pra frente, encarei o botão da blusa da mulher gravida quase tapando o meu nariz, e levantei pra ela sentar, fiquei de pé e entre o suvaco do cara do meu lado, e o cotovelo da gordinha atrás de mim eu pensei "não tô louca, não to louca, não tô". Olhei de novo pra janela e tava ali o senhorzinho freak, sentado no MESMO lugar! Olhando pra janela também, olhando pra mim, debochando de mim! Tipo "ha-ha-ha, troxa"! What the fuck!? Comecei a ficar irritada, me achar cega e louca, e sentir uma grande vontade de perguntar pro moço do suvaco se ele tava vendo um senhor de idade no reflexo da janela, mas não é o tipo de dialogo que qualquer pessoa gostaria de ter às sete da manhã em um vagão lotado. Ainda mais se essa pessoa for eu e não gostar de manter dialogo algum às sete da manhã em um vagão lotado.

"Calma Maria, pelo amor né, você deve tá imaginando coisa. Ficou com o velho simpático na cabeça, achou o senhor parecido e pensou que fosse, daí depois que viu que não era, ficou ainda mais com o velho pentelhando sua cabeça que tá vendo coisa outra vez. Aí! Tá vendo! Você acabou de olhar pro banco e realmente não é ele! É um outro senhor simpático e nem tão freak quanto", finalmente chegou na estação que eu ia descer, me espremi entre as pessoas e saí do trem, quando eu tava chegando no ponto de ônibus do lado da estação eu senti alguém pegando no meu braço e me dando um livro, eu olhei pro livro, peguei e quando fui agradecer eu vi que era o senhorzinho freak! O mesmo do começo! Me devolvendo o livro! O leite derramado do chico buarque que eu roubei do meu pai! O meu pai que tá acostumado a ter livros roubados por mim! O livro do meu pai tava na mão do senhorzinho freak do filme japones e eu tava com o queixo no chão, branca que nem papel mache de programa matinal! Agradeci, virei as costas, apertei o passo e subi no ônibus.

Se isso aconteceu mesmo? Não. Mas poderia ter acontecido...Eu realmente esbarrei no velhinho freak quando eu tava entrando no metrô, achei que a história ia ficar muito sem graça se eu só contasse isso, então eu inventei o resto pra vocês sentirem o drama que é viajar de metrô as sete da manhã e sentir que o tempo absolutamente NÃO passa. Parece que a gente vai ficar o dia inteiro naquele banco duro, e não tem livro bom que nos distraia quando alguém espalha o cheiro da axilia por todo o vagão. Não tenho a menor idéia da utilidade disso que eu acabei de escrever, só achei legalzinho porque eu gosto de velhos freaks de terror japones.

Vou descer na academiaaa gentem.
Tomem cuidado com o metrô de manhã cedo, não que um velho freak vá te sequestrar e doar seus orgãos para o mercado clandestino, mas nem todo mundo é honesto a ponto de te devolver um livro esquecido no metrô! Ainda mais se for o sucesso cult do momento, dica.

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Por Maria Confort