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SOBRE O BLOG

Sempre tive blogs, sempre passei horas brincando com html, rabiscando imagens e textos...Infelizmente, a vida a gente não programa nos programas do adobe e eu fiquei sem tempo, minhas prioridades mudaram e eu esqueci de como eu gosto disso tudo. A gente sempre fala "as pequenas coisas são as que mais fazem bem" mas são tantas coisinhas, que é normal se perder entre as que trazem um bem instantâneo, e aquelas que realmente te alimentam. Quando uma amiga minha ganhou um moleskine de presente eu tive uma epifania e senti falta do meu caderninho de anotações virtual.

Escrever um blog é diferente, mesmo que eu não saiba explicar o por quê, quando um texto é publicado aqui ele cresce um pouco dentro de mim.

SOBRE A MARIA

DOLL PARTS
18 anos de Maria, carioca que adotou São Paulo como presente mas sabe que o Rio vai ser seu futuro. Aos que já assistiram 'minha bela dama' e 'crepusculo dos deuses', fiquem sabendo: Às vezes sou Eliza e muitas vezes sou Norma. Curso o primeiro semestre de jornalismo na PUCSP. Teimo em acreditar que tudo o que já aconteceu comigo na verdade foi só ensaio para aquilo que ainda vai vir.

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quinta-feira, 21 de maio de 2009



E vamos entrar no meu assunto preferido, filmes de terror *_*.

A Tale Of Two Sisters
Quem me conhece, conhece também o meu amor por filmes de terror asiáticos. Adoro orientais com o cabelo na cara, o olho arregalado e a pele branquinha entrando em contraste com o vermelho do sangue. Acho a fotografia desses filmes maravilhosa! A edição é perfeita, a trilha sonora, incrível e as histórias originais surpreendentes. Já conversei sobre essa paixão com gente que manja muito de cinema e não concordaram comigo, falaram que terror oriental é tudo igual principalmente por ter sempre um espirito vingativo - alegam justamente o contrário daquilo que eu considero o mais envolvente nesses filmes. Também já li em criticas gente dizendo que o ritmo é muito lento, que o filme demora pra acontencer...Bom, cada um tem a sua opinião e gosto, mas dizer que um filme é ruim só porque não faz seu estilo eu considero total injusto.

Pra entender um filme desses é preciso entender pelo menos um pouquinho da cultura asiática, desde a importância da fidelidade em um casamento ao valor empregado na vida e principalmente na morte. O modo que eles encaram o corpo e a alma é diferente do nosso, e isso tem que ser respeitado e considerado quando sentamos pra assistir uma das produções do cinema asiático. Alias, isso deve ser feito com qualquer filme feito em uma cultura diferente da nossa, e principalmente diferente da cultura norte americana.

Enfim, chega de enrolação que eu tô ansiosa pra começar a falar de Tale Of Two Sisters (ou Medo, no Brasil).

Sinopse: Duas irmãs voltam para casa após passar um tempo em um internato. Elas são recebidas de braços abertos pela madrasta que logo depois se mostra uma mulher cruel. Aos poucos, acontecimentos perturbadores vão deixar os nervos à flor da pele. Todos escondem um mistério horripilante. Há outras almas presentes no ar. Almas que não estão em paz.

Minha modesta opinião: Uou! Não é um dos melhores filmes de terror da história, mas definitivamente entrou pra minha lista de preferidos e para aquela outra listinha que a gente guarda na cabeça, na hora que um amigo pede uma boa indicação de filme.

Existem fantasmas que moram dentro. Eles não nos assombram só ao puxar nosso cobertor de madrugada ou chorando debaixo da pia, e é esse o tipo de horror mostrado nesse filme, um terror pisicologico que mora dentro da cabeça de Soo-mi e atinge todos os envolvidos na vida dela, inclusive nós.
Fiquei pensando naquela música ciranda da bailarina do chico buarque, "confessando bem todo mundo faz pecado", é claro que o clima não tem nada a ver com o filme, mas quem não tem esqueltos no armário? Um passado que conseguimos esconder durante muito tempo, mas que, para o nosso desespero, uma hora vai aparecer novamente, e nós sabemos disso.
A tale of two sisters misturou tudo isso, um passado dificil de apagar gerando conflitos pisicologicos e o mais assustador dos monstros, a mente humana. Todo aquele sangue escorrendo e as cenas gore foram substituidas por algo maior e ainda mais transcendênte, o arrependimento e o erro.

Nada é explicito, e isso pode incomodar muita gente, principalmente aqueles com preguiça de pensar ou fãs do desenrolar mastigado da maioria dos atuais roteiros hollywoodianos. Nada é explicito mas tudo fica nitido para quem se dispõe a enxergar, os detalhes mostrados desde o começo do filme estão ali por algum motivo, nada é atoa ou dispensável e até as cenas mais demoradas são assim por uma razão, que você vai perceber ao se dedicar a entender. E, ao contrário do que você pode estar pensando, não vai ser preciso muito tempo, basta assistir com atenção e tudo vai se desenrolar diante dos seus olhos, e se você conseguir compreender toda a antologia do filme vai ficar de boca aberta como eu fiquei.

As atuações são uma cena a parte, todas as personagens são muito bem desenvolvidas e esse não é um daqueles filmes pseudo-complexos que quando terminam você fica se perguntando "ahm?!", não banca o filme inteligente quando na verdade acabou sem explicação só pra esconder um roteiro fraco. A tale of two sisters se explica a cada cena, mesmo que em alguns momentos a gente pense que tá entendendo tudo e segudos depois percebemos que não entendemos nada, a graça é essa. Tudo se encaixa na sequência final, do jeito mais natural possível.

O diretor Ji-woon Kim não tem aquela atitude prepotente da maioria dos diretores desse gênero; ele não apela pra um flashback explicativo e clichê, onde várias imagens são jogadas na nossa frente com legendas e formulas de compreensão rápida. Essa sequência até existe, mas é curta, rápida, só é dito aquilo que é necessário para que nós façamos todas as ligações que restam, afinal, nesse momento do filme quase toda a explicação já foi moldada por nós mesmos na nossa cabeça.

Tudo é colocado em questão, as relações familiares, os medos, o amor é transmitido sem pressa como se fosse uma canção assobiada por Soo-mi, cabe a quem vai assistir ouvi-la com paciência.

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Por Maria Confort